SUGESTÃO DE PAUTA | EXPEDIENTE 19 de Junho de 2019

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FUTURO

Como serão as cidades do futuro

Gigantes de tecnologia e startups estão transformando o mundo em uma plataforma digital

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uayside, em Toronto, na província canadense de Ontário, é uma zona portuária industrial. Silos para estocar soja, erguidos na década de 40, destacam-se no horizonte. Antigos galpões abrigam festas e servem de estacionamento — a não ser quando chove e o rio Don transborda.Ali, em uma área de três quilômetros quadrados, o Google pretende erguer seu modelo de cidade 100% inteligente. A cargo do Sidewalk Labs, da Alphabet, dona da big tech, o plano é (orgulhosa e ambiciosamente) anunciado como “o primeiro bairro construído a partir da internet”, no dossiê de apresentação do projeto, um calhamaço de 196 páginas, assinado por Dan Doctoroff, 60 anos, CEO do laboratório de urbanismo da holding.

Onipresente em buscas na internet (o Google possui 92% do setor), smartphones (75% dos aparelhos usam Android, seu sistema operacional) e navegações por GPS (Google Maps e Waze somam 79% do mercado de mapas), a Alphabet propõe um espaço urbano que seja, ele próprio, uma plataforma digital. Internet das coisas (IoT), big data, machine learning, inteligência artificial... Uma “cidade” moldada às demandas de seus moradores; tão dinâmica quanto o dia a dia de seus habitantes. Flexível.

Em Quayside, não é para haver desnível entre ruas e calçadas. A pavimentação modular, batizada Dynamic Street, graças a lâmpadas LED, muda de cor para atender às necessidades do momento e redefinir as áreas para automóveis e pedestres. Os carros, autônomos, se adaptam às novas regras de circulação automaticamente. Os postes de luz, lixeiras e bancos se encaixam no piso como peças de Lego. Os edifícios podem ganhar ou perder paredes, e até mesmo andares, de acordo com a ocasião. “Prédios são projetados para durar muito mais do que as necessidades de seus usuários”, lê-se no documento de apresentação de Quayside. “[Nossa] estrutura vai se manter flexível, acomodando uma mistura radical de usos [como residência, varejo, escritório, estacionamento].” Galpões oferecem os chamados “espaços de engajamento temporário”. Um dia eles podem ser restaurante. No outro, coworking para novas startups e/ou escritório para as indústrias mais tradicionais.

Na concepção dos idealizadores de Quayside, a cidade do futuro é sustentável, inclusiva e estimula a ocupação dos espaços públicos. Lá no bairro do Google, a ideia é a de que os toldos sobre as calçadas se abram ou se fechem conforme as mudanças climáticas. Nevou? O sistema de climatização das ciclovias se encarrega de derreter a neve. Caminho liberado. Graças às benesses das novas tecnologias, as cidades do futuro nos oferecem um artigo raríssimo nos dias atuais — tempo. Segundo os técnicos do Sidewalk Labs, quem viver em Quayside deve ganhar 2.497 horas a mais por ano, para desfrutar “confortavelmente ao ar livre”, como sugere o relatório da Alphabet. 

Enquanto Quayside não sai do papel, as cidades reais vivem uma revolução. O futuro já é — atraindo o interesse e impactando todos os setores da economia. “Entre 2016 e 2018, o investimento em tecnologia urbana totalizou cerca de US$ 75 bilhões, o que equivale a 17% de todo o investimento global de capital de risco”, disse a Época NEGÓCIOS o arquiteto e engenheiro italiano Carlo Ratti. Aos 48 anos, ele é diretor do Senseable City Lab, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), grupo de pesquisa dedicado ao estudo do impacto das novas tecnologias nas cidades. Citando dados de um levantamento conduzido por Richard Florida, teórico de economia urbana e professor da Escola de Administração Rotman, da Universidade de Toronto, Carlo completa: a tecnologia urbana pode atrair mais fundos do que as farmacêuticas, as empresas de biotecnologia e de inteligência artificial. “Como no início dos anos 2000, veremos uma proliferação de ideias e novas empresas — muitas falharão, mas algumas mudarão nossas vidas”, anunciou o pesquisador do MIT.

Smart Cities - Quayside promete maravilhas como bairro inteligente. O que não está garantida ainda é a privacidade de seus moradores  (Foto: Divulgação/Sidewalk lab)

Na efervescência do ecossistema urbano atual, lideram a corrida rumo ao futuro as empresas que tiveram a perspicácia de perceber o início do movimento lá atrás, no início da década. Uber, Airbnb, Cabify, 99, iFood e Rappi, por exemplo, tornaram-se unicórnios ao apostar em aplicativos para smartphones. Os negócios, do modo como os conhecemos, nunca mais serão os mesmos. 

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