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Cotidiano Segunda-feira, 29 de Julho de 2019, 09:07 - A | A

29 de Julho de 2019, 09h:07 - A | A

Cotidiano / ABANDONO

Centro Comunitário vira "boca de fumo" e ponto de estupros

Moradores que vivem no Bairro Quilombo há anos lamentam situação e devem pedir a demolição do espaço



Quando inaugurado, há algumas décadas, o Centro Comunitário do Bairro Quilombo funcionava como ponto cultural e de lazer para os moradores da região. Atualmente, porém, restaram apenas escombros da obra, que servem de abrigo para pessoas em situação de rua e depósito de lixo. 

 

Nesta semana, veio à tona, por meio da imprensa, de que a obra abandonada também era utilizada por um homem de 27 anos, que, com um perfil falso nas redes sociais, marcava encontros com menores de idade no local. Nos escombros do antigo Centro Comunitário, o acusado teria abusado sexualmente das vítimas.

 
 

 

A reportagem do MidiaNews esteve no local e constatou a grande quantidade de lixo, garrafas de cerveja, aparelhos de televisão quebrados, restos de construção e até mesmo fezes no local. O forte odor da obra abandonada também pode ser sentido por quem passa por ali. 

 

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos informou que a Pasta tem trabalhado no processo de transferência da administação de Centros Comunitários para as Associações de Moradores dos bairros. 

 

Ainda conforme o posicionamento, uma Ação Civil Pública do Ministério Público Estadual (MPE) determinou que a gestão municipal não atue na construção ou revitalização dessas estruturas sem a realização de um processo de emissão do Termo de Permissão de Uso (TPU). 

 

 

A notícia foi recebida com espanto pelos vizinhos do antigo ponto social. Muitas deles cultivam histórias de quando frequentavam o local. 

Moramos aqui em frente, mas nunca ficamos sabendo de nada. Deitamos e dormimos, mas não sei o que passa na rua. Fiquei abismada. Estou preocupada com as crianças que estudam na escola"

 

Moradora de uma residência que fica em frente aos escombros, a dona Maria, que não quis informar o seu sobrenome à reportagem, contou que o local está "abandonado há mais tempo do que consegue se lembrar". 

 

Enquanto espiava por entre as frestas do portão, ela explicou que a notícia dos estupros cometidos no local a deixaram "chocada". Um ginásio de esportes e a Escola Estadual Alcebyades Calhao estão localizadas praticamente no mesmo terreno. 

 

"Moramos aqui em frente, mas nunca ficamos sabendo de nada. Deitamos e dormimos, mas não sei o que passa na rua. Fiquei abismada. Estou preocupada com as crianças que estudam na escola", disse. 

 

De acordo com ela, o abandono do Centro Comunitário foi acontecendo gradualmente. Maria mora no mesmo local há 71 anos. Apesar de já ter desfrutado do espaço social, como em 1994 quando ela e a filha assistiram a um dos jogos da Copa do Mundo no local, hoje espera que os escombros sejam demolidos o mais rápido possível. 

 

"Teve um tempo em que as pessoas que jogavam futebol no campo usavam esse lugar como vestiário, para trocar de roupa e etc. Alugavam para festas, aniversário. De repente, foi passando o tempo, o pessoal foi tirando a telha, moradores de rua também começaram a entrar. Foi quando destelharam tudo para ninguém mais ficar lá dentro. Queremos que o prefeito mande demolir", contou. 

 

Ao lado da casa de Maria, um terreno também está sofrendo as consequências do abandono e da falta de manutenção. O local, que poderia facilmente ser um espaço de lazer para os moradores das redondezas, se tornou um grande matagal, dividido por um córrego, que é responsável pelo cheiro de lixo que toma conta da região. 

 

Abaixo-assinado

 

É preciso atravessar o que antes parecia ser um parque com bancos para descanso e uma trilha de concreto que corta o terreno baldio para chegar até a residência do presidente da Associação dos Moradores do Bairro Quilombo, Paulo Victor Silva Soares. 

 

À reportagem, Paulo, que ocupa o cargo há quatro anos, contou que a gestão buscou "incansavelmente", durante anos, posicionamentos da Prefeitura de Cuiabá. Uma possível revitalização do Centro Comunitário já não parece mais fazer parte da realidade dos moradores, que viram o antigo imóvel definhar. 

 

"A Prefeitura sabe de toda a situação, mas nunca fez nada. Como ano que vem é ano político, eles [equipes da Prefeitura] têm vindo até aqui trocar algumas lâmpadas. O Centro Comunitário abandonado acabou se tornando uma boca de fumo. Essa região sempre foi suja e abandonada", disse. 

 

Paulo também se lembrou de quando frequentava o local com a bisavó para tomar chá com bolachas. De acordo com ele, quando estava "de pé" e funcionando, o Centro Comunitário também era ponto de convivência para idosos. 

 

"Pretendemos fazer um abaixo-assinado pedindo a demolição. Já chegamos a pedir a revitalização do Centro, mas nunca tivemos resposta", finalizou. 

 

Leia a nota na íntegra: 

 

- Por conta de uma Ação Civil Pública do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), trabalha no processo de transferência da administração dessas estruturas para as Associações de Moradores de cada bairro. 

 

- A Ação determina que o Município não atue na construção ou revitalização dessas estruturas sem que o processo de emissão do Termo de Permissão de Uso (TPU) seja realizado. 

 

- A medita é uma precaução adotada para evitar que, após o recebimento das melhorias, esses espaços fiquem sem utilização ou sem receber os devidos cuidados de manutenção. 

 

- O procedimento está sob a coordenação da Secretaria-adjunta de Relações Comunitárias e cerca de 30 Centros Comunitários já estão regularizados. 

 

- Para participar da ação, os responsáveis pelas Associações devem manifestar o interesse junto a Secretaria-adjunta, que está localizada no Palácio Alencastro.



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